Todos os dias eu volto aquele quartinho. Acendo as luzes, verifico se está tudo no mesmo lugar, então, com um misto de alívio e tristeza, fecho a porta, retorno e retomo minha vida.
Às vezes, eu gostaria de encontrar este cômodo em completa baderna, noutras vezes, me sinto confortável ao enxergar que nada mudou. A acomodação tem lá seu lado de ternura...
Entretanto, quando chega a hora de dormir e ocorre a inevitável retrospectiva do dia, quiçá da vida, surgem logo as sombras, o gosto acre da trajetória mal resolvida.
Por certo todos nós carregamos arrependimentos e frustrações, porém, o grande segredo do bem-viver está em como elaboramos nossos erros, nossas perdas, nossos tropeços.
O meu quartinho tem muito objeto que precisaria ser descartado. Também tem muita relíquia, incontáveis segredos e memórias valiosas. Mas desconfio que algumas peças que me compõe deveriam tomar um destino diferente daquele de se manter inertes em um mesmo ambiente por tanto tempo. Parece que se as lembranças continuam ali, eu também ali estarei. É a tal ternura da estabilidade que relatei no início do texto.
De outro modo, tenho a impressão de que se ousar mexer na ordem estabelecida neste local, não suportarei a dor que tal atitude poderá me causar. Seria como se estivesse violando meu próprio santuário.
Racionalmente, intuo que meu quartinho deva ser redecorado. Compreendo que chegou a hora de abrir as janelas, varrer a sujeira que se acumulou depois de tanto tempo. Só que a gente se acostuma com tanto e com tudo, até com nossos ácaros (ainda que eles nos causem mal à saúde) - " a gente se acostuma com tudo, mas não devia", já vociferou Marina Colassanti.
Eu tenho medo de abrir o aposento mais precioso de minha casa e deixar que "un voleur" usurpe o que me torna quem sou, o sentido que carrego. Sei que um dia, mesmo que eu relute, a porta deste quarto vai se abrir. Tenho medo de ficar tanto tempo guardando minhas antiguidades e acabar me tornando uma delas. Meu quartinho pode vir a se tornar um sótão esquecido.
domingo, 16 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
Cale a boca!
Nos últimos tempos, um ensinamento se impôs em minha vida.Calar-me!
Depois de falar e falar e falar, conclui que de nada adianta discursivizar tudo aquilo que vai dentro de mim. Algumas pessoas simplesmente não entendem, outras não querem compreender e existem aquelas que tão somente te ignoram, isto é, não estão nem aí para o que tu diz.
Ficar em silêncio traz alguns benefícios: Não há o estresse da discussão sem desfecho, nem o jogo de impropérios ao léo. Ainda posso observar/ouvir mais atentamente aqueles que um dia desejei que me escutassem.
Foram muitos anos tentando, lutando para ser ouvida,aceita, entendida. Hoje, percebo que aquilo que os outros pensam de nós é construído à nossa revelia. Não há maneiras de fazer com que as pessoas aceitem e entessourem nossos "verbos" como pueris verdades.
Uma vez li em algum lugar que devemos viver de acordo com "nossas verdades", e como consequencia, teremos paz em nossos corações. De cara, concordei com o que li, no entanto, só agora entendo que muito mais do que erguer muros em torno de mim, isto significa calar.
Não se trata exatamente de uma desistência, embora em alguns aspectos assim o seja. Acredito que finalmente aceitei fatos que jamais serão transformados. Pessoas que nunca entenderão o que eu disse ou mesmo aquilo que silenciei.
Um lado desta história é o amargo de ter sido prolixa, ou desiteressante...sei lá. A outra banda desta narrativa traz o sossêgo de aceitar a vida, as pessoas e todos os fatos que me cercam, não como imutáveis, mas como parte de um processo e, sendo assim não posso desejar alterar todas as coisas. O mundo continuará a existir quando eu aqui não mais estiver.
Nem mesmo os maiores sábios da humanidade foram compreendidos na extensão daquilo que eram e diziam!!!
Quem sou eu então, com minhas estúpidas angústias?!
Cala a boca, Daniela!
Depois de falar e falar e falar, conclui que de nada adianta discursivizar tudo aquilo que vai dentro de mim. Algumas pessoas simplesmente não entendem, outras não querem compreender e existem aquelas que tão somente te ignoram, isto é, não estão nem aí para o que tu diz.
Ficar em silêncio traz alguns benefícios: Não há o estresse da discussão sem desfecho, nem o jogo de impropérios ao léo. Ainda posso observar/ouvir mais atentamente aqueles que um dia desejei que me escutassem.
Foram muitos anos tentando, lutando para ser ouvida,aceita, entendida. Hoje, percebo que aquilo que os outros pensam de nós é construído à nossa revelia. Não há maneiras de fazer com que as pessoas aceitem e entessourem nossos "verbos" como pueris verdades.
Uma vez li em algum lugar que devemos viver de acordo com "nossas verdades", e como consequencia, teremos paz em nossos corações. De cara, concordei com o que li, no entanto, só agora entendo que muito mais do que erguer muros em torno de mim, isto significa calar.
Não se trata exatamente de uma desistência, embora em alguns aspectos assim o seja. Acredito que finalmente aceitei fatos que jamais serão transformados. Pessoas que nunca entenderão o que eu disse ou mesmo aquilo que silenciei.
Um lado desta história é o amargo de ter sido prolixa, ou desiteressante...sei lá. A outra banda desta narrativa traz o sossêgo de aceitar a vida, as pessoas e todos os fatos que me cercam, não como imutáveis, mas como parte de um processo e, sendo assim não posso desejar alterar todas as coisas. O mundo continuará a existir quando eu aqui não mais estiver.
Nem mesmo os maiores sábios da humanidade foram compreendidos na extensão daquilo que eram e diziam!!!
Quem sou eu então, com minhas estúpidas angústias?!
Cala a boca, Daniela!
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
O fim do amor
Será possível esquecer um grande amor, mesmo que não sobreviva mais o amor?
Mais fortes que o desejo de esquecer são as transformações físicas que se abatem sobre quem terminou um grande amor, coração batendo a mil, adrenalina, borboletas no estômago.
Os médicos dizem que quem terminou um grande amor tem de reforçar as emoções negativas ligadas à pessoa e mudar o foco.
Em suma, dá para traduzir, para se esquecer um grande amor e expulsá-lo das nossas entranhas só existe uma receita: arranjar um outro grande amor.
Caso contrário, vai se repetir o ramerrão.
*
E diz mais um famoso neurologista: ficar só, não amar mais, não ajuda a superar o caso.
Vejam que mão de obra: seu amor pode ter azedado, mas as lembranças negativas permanecem e fazem disparar as reações físicas adversas. Ou seja, o amor perdido permanece no ser da gente, ainda que as lembranças últimas que se tenha dele sejam negativas.
Porque as impressões do namoro permanecem inalteradas.
*
Quando se acaba um grande amor, as impressões residuais, inclusive as manifestações físicas delas decorrentes, sequestram os pensamentos, não precisa que a gente se recorde do ex, o córtex pré-frontal traz à tona as lembranças da relação perdida, mesmo que a pessoa não faça mais parte da sua vida.
É tão grande o dano causado a uma pessoa que terminou uma relação de amor, que dificilmente ele se apagará.
O que remete ao risco que todo grande amor encerra: o do fim. Encerrar um caso de amor, portanto, não é dar fim à dor. É dar trânsito a ela com o distanciamento.
*
O tempo, pois, não apaga a lembrança de um grande amor. Essa recordação incômoda ou cruciante é como os vícios, não se pode livrar-se deles.
Por isso é que às vezes constatamos pessoas que praticamente tiveram suas vidas tortas ao findarem um relacionamento: por mais que dissimulem, não é difícil notar que a vida para elas se acabou.
*
Por onde for alguém que teve um grande amor interrompido, a lembrança dolorida do caso irá também trilhando as mesmas ruas.
Um grande amor perdido se cola ao corpo, senão como tatuagem, então como cicatriz.
É impossível apagar a sua marca. Porque ele deixou vestígios irremovíveis.
Se não arranjar um outro grande amor, você será para sempre um ser arrastado e inútil.
*
Pressentindo isso é que muitas pessoas revelam um temor, que chega quase à ojeriza, em se apaixonarem: sabiamente intuem que o amor pode terminar um dia e será impossível sustentar a dor da lembrança dele, repito, mesmo que já não se ame mais a outra pessoa.
É o tal de medo do amor, medo do envolvimento.
Não amar, por incrível que pareça, é melhor do que ter o coração dilacerado pela separação amorosa.
Paulo Sant'Anna
* Texto publicado em 12/06/2010
Mais fortes que o desejo de esquecer são as transformações físicas que se abatem sobre quem terminou um grande amor, coração batendo a mil, adrenalina, borboletas no estômago.
Os médicos dizem que quem terminou um grande amor tem de reforçar as emoções negativas ligadas à pessoa e mudar o foco.
Em suma, dá para traduzir, para se esquecer um grande amor e expulsá-lo das nossas entranhas só existe uma receita: arranjar um outro grande amor.
Caso contrário, vai se repetir o ramerrão.
*
E diz mais um famoso neurologista: ficar só, não amar mais, não ajuda a superar o caso.
Vejam que mão de obra: seu amor pode ter azedado, mas as lembranças negativas permanecem e fazem disparar as reações físicas adversas. Ou seja, o amor perdido permanece no ser da gente, ainda que as lembranças últimas que se tenha dele sejam negativas.
Porque as impressões do namoro permanecem inalteradas.
*
Quando se acaba um grande amor, as impressões residuais, inclusive as manifestações físicas delas decorrentes, sequestram os pensamentos, não precisa que a gente se recorde do ex, o córtex pré-frontal traz à tona as lembranças da relação perdida, mesmo que a pessoa não faça mais parte da sua vida.
É tão grande o dano causado a uma pessoa que terminou uma relação de amor, que dificilmente ele se apagará.
O que remete ao risco que todo grande amor encerra: o do fim. Encerrar um caso de amor, portanto, não é dar fim à dor. É dar trânsito a ela com o distanciamento.
*
O tempo, pois, não apaga a lembrança de um grande amor. Essa recordação incômoda ou cruciante é como os vícios, não se pode livrar-se deles.
Por isso é que às vezes constatamos pessoas que praticamente tiveram suas vidas tortas ao findarem um relacionamento: por mais que dissimulem, não é difícil notar que a vida para elas se acabou.
*
Por onde for alguém que teve um grande amor interrompido, a lembrança dolorida do caso irá também trilhando as mesmas ruas.
Um grande amor perdido se cola ao corpo, senão como tatuagem, então como cicatriz.
É impossível apagar a sua marca. Porque ele deixou vestígios irremovíveis.
Se não arranjar um outro grande amor, você será para sempre um ser arrastado e inútil.
*
Pressentindo isso é que muitas pessoas revelam um temor, que chega quase à ojeriza, em se apaixonarem: sabiamente intuem que o amor pode terminar um dia e será impossível sustentar a dor da lembrança dele, repito, mesmo que já não se ame mais a outra pessoa.
É o tal de medo do amor, medo do envolvimento.
Não amar, por incrível que pareça, é melhor do que ter o coração dilacerado pela separação amorosa.
Paulo Sant'Anna
* Texto publicado em 12/06/2010
quarta-feira, 29 de agosto de 2012
E as palavras não vem fácil...
É realmente difícil falar de certas coisas, pois para elas as palavras não vem fácil. Aquilo que um dia transbordava, hoje não brota mais nem que minhas entranhas bradem. Não há sequer melancolia nesta asserção. A dor passou, a saudade passou.
Meus planos já são tão outros, e você agora é só uma lembrança distante, distanciada de quem atualmente sou. E meus olhos fixam o esverdeado de outros olhos e neles agora demoram contemplativos. Meu teto não é mais de estrelas, ele é de concreto. Entretanto, isso não é ruim, pois agora confio no que me cobre, estou finalmente protegida. Na mutuidade de sentimentos descobri razões para existir, valores pelos quais lutar.
Agora, meu ritmo não é mais desritmado. Já não sou rápida ou lerda, sou, sim, o que sempre deveria ter sido. Minha mendicância emocional ficou no passado.
As palavras não vem fácil, mas isso é tão incrivelmente positivo...
A música que dizia, hoje se tornou inútil, inaudível, indizível para mim. O lamento da letra, oposto a tudo que me cerca.
Incrível dizer sem dizer, e não dizendo dizer tanto e muito e mais do que aquilo que precisa ou deve ser dito.
Obrigada por me liberar para o precipício de minha própria existência.
Obrigada.
Meus planos já são tão outros, e você agora é só uma lembrança distante, distanciada de quem atualmente sou. E meus olhos fixam o esverdeado de outros olhos e neles agora demoram contemplativos. Meu teto não é mais de estrelas, ele é de concreto. Entretanto, isso não é ruim, pois agora confio no que me cobre, estou finalmente protegida. Na mutuidade de sentimentos descobri razões para existir, valores pelos quais lutar.
Agora, meu ritmo não é mais desritmado. Já não sou rápida ou lerda, sou, sim, o que sempre deveria ter sido. Minha mendicância emocional ficou no passado.
As palavras não vem fácil, mas isso é tão incrivelmente positivo...
A música que dizia, hoje se tornou inútil, inaudível, indizível para mim. O lamento da letra, oposto a tudo que me cerca.
Incrível dizer sem dizer, e não dizendo dizer tanto e muito e mais do que aquilo que precisa ou deve ser dito.
Obrigada por me liberar para o precipício de minha própria existência.
Obrigada.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
De volta para o passado - 1985.
O que acontecia a cada um de nós
naquele remoto ano de 1985. Éramos todos desconhecidos, corpos e almas que anos
mais tarde se entrecruzariam, se completariam e se separariam. Jamais
imaginaríamos que alguns dias ou meses de nossas existências seriam
preponderantes uns para com os outros. Éramos tolos, parvos, almas incólumes.
Fico nos imaginando passando uns
pelos outros em alguma grande avenida, ainda inocentes da vida, do amor e da dor.
E já faz tanto tempo... Quando alguém diz sua data de nascimento meu pensamento
inevitavelmente me reporta àquele momento de minha existência, se fosse já vida
materializada humanamente.
Não pensava no amor, apenas
amava. Não pensava na dor, apenas sentia. Eu pensava em como seria o porvir.
Estes “pressentimentos” sempre andaram junto a mim. Desde muito jovem, perdia
horas imaginando como seria meu futuro, como eu seria. E sentia medo. Queria
estancar a disparada frenética dos dias que diante de mim desfilavam, dos meses
somando-se e aumentando mais e mais minha angústia de estar e ser. Estar aonde
e ser o quê? E como eu sofria, e como meus momentos de sabor de infância se
escasseavam com essa minha sofreguidão por decifrar o amanhã.
Agora, quando escuto este acorde
tão familiar, que me leva como um jato ao ano de 1985 é como se estivesse lá e
aqui ao mesmo tempo. Hoje e ontem fundidos dentro do meu coração que nunca
soube se havia crescido ou permanecido criança.
E nós continuamos vivos, cada um
em seu círculo de feitiços próprio. Nossas magias já não são mais compatíveis.
Mas eu capturei muito de 1962, 1969, 1970, 1972, 1974, 1975... 1985, 2012. Eu
coloquei em mim cada pedacinho destes anos longínquos através de seres que
comigo completaram e decifram minha razão de aqui estar – ainda.
E quando meu sorriso surge, trago
com ele os meses de agosto, março, abril, outubro, trago com meu suspiro as
delícias dos anos que se foram. Ainda que sinta saudades, os humanos destas
épocas por aí permanecem. Nas calçadas, avenidas, nos meses que se seguem.
Pois cada novo dia é novo para aqueles que aqui estão e meus sabores de outrora
certamente estão a satisfazer os coraçõezinhos jovens, tolos, parvos, as almas
incólumes. Como um dia foi minh’alma.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Ô vous qui êtes sur une frêle nacelle,
désireux d'écouter mes paroles,
vous suivez mon vaisseau
qui chante et vague
Ne vous lancez ponit au large,
car, en pendant ma trace, vous resteriez égarés.
La mer que je prends
ne fut jamais parcoure
Minerve m'inspire
Apollon me conduit
tandis que les Neuf Muses
m'indiquent l'Ourse.
Elle est morte...et moi aussi.
désireux d'écouter mes paroles,
vous suivez mon vaisseau
qui chante et vague
Ne vous lancez ponit au large,
car, en pendant ma trace, vous resteriez égarés.
La mer que je prends
ne fut jamais parcoure
Minerve m'inspire
Apollon me conduit
tandis que les Neuf Muses
m'indiquent l'Ourse.
Elle est morte...et moi aussi.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Por que me odeio
Eu me odeio pela minha covardia,
Pela minha normalidade,
Por minha aparência saudável,
Por minha existência pifiamente linear,
Eu me odeio por não embarcar na minha própria viagem, que mesmo que
fosse sem volta, ainda assim faria com que me deslocasse.
Eu me odeio pelo apetite diário
que sinto,
Por salivar diante de um prato de
comida.
Odeio respirar tão calmamente,
sem a sofreguidão que a alucinação pode permitir.
Eu me odeio por não me permitir.
Odeio a claridade que me cega e a
nitidez que embasa meus sentidos
Eu odeio entender o que poderia
me ser oculto e ocultar aquilo que entendo.
Eu me odeio pelo odor de
segurança que exalo, pela saturação, pela acomodação.
Eu me odeio pelo acorde plácido
que produzo, porque não sei desafinar.
Eu me odeio por aqueles que
escolhi me rodearem,
Pelas suas ignorâncias que nada
mais são que uma extensão de minha própria imbecilidade.
Eu me odeio por ter voltado do
transe,
Por ter abrido os olhos,
Por minha língua ter se desenrolado
e tornado a se enrolar na linguagem desprezível do esperado.
Eu me odeio por esperar, por
voltar de onde nunca deveria ter saído.
Eu me odeio por ter existido,
quando na verdade, jamais existi de fato.
Eu me odeio por não ser
invisível.
Eu odeio o cartão de natal, a
festa de aniversário, eu odeio os óculos que me obrigaram a usar.
Eu me odeio pelas lentes
duplicadas que reduplicaram minhas dores.
Eu me odeio, pois meus lábios
sempre foram mais lentos que meu pensamento.
Por que quando minha língua desenrolou, minha mediocridade se tornou
visível.
Eu me odeio por ter sido
diferente quando deveria ter sido igual, e de ter feito igual quando poderia
ter feito diferente.
Eu me odeio por pensar que não
penso. Eu me odeio pelo pronome oblíquo que torna meu mundo estreito e
restringe quem eu seria. Eu odeio o verbo com ideia de ação inacabada, pois ele
sugere que minha dor será eterna.
Eu me odeio por seguir caminhos e
não encurtar minha trajetória encontrando um atalho de desvario.
Eu me odeio pelo bom-senso, pela
falta de mim nas tarefas cotidianas.
Eu me odeio pela maquinaria que
represento, pela engrenagem da qual sou parte.
Eu me odeio por não conseguir
pulverizar minha essência, por não ter competência.
Por isso me odeio. Eu me odeio.
"Percebi uma coisa interessante na escuridão. No começo, a gente não enxerga nada e bate com a canela em todos os móveis (do quarto ou da vida). Mas, depois de algum tempinho, a gente se acalma e a vista se acostuma e podemos ver luzes em lugar que a gente nem imaginava que existiam. E, sim, seja qual for a escuridão que você esteja vivendo nesse momento, a luzinha, luz ou luzona existirá e você poderá achar a saída. Sempre!"
Gisela Rao
OM MANI PADME HUM = A flor de Lótus econtra o sol em meio ao lodo.
Gisela Rao
OM MANI PADME HUM = A flor de Lótus econtra o sol em meio ao lodo.
sexta-feira, 13 de julho de 2012
O roqueiro cinquentão
Adorei esta crônica (risos)
por Marcelo O. Dantas
Tem essa não, falou. Papo de "cinqüentão", estou fora. Maior invenção maledicente desse pessoal do samba. Roqueiro é roqueiro, não tem essa de ficar tirando onda com a idade do cara. Até porque esse lance aí de "juventude" tem suas relatividades. Energia = mc5. Se liga, meu. Quando eu tava em pleno esplendor do meus 16 anos - saradaço, pegando onda, pegando os brotos, estraçalhando geral com a minha Giannini sg vermelha e preta igualzinha à do Angus Young - qualquer um com mais de 25 velinhas no bolo ganhava de imediato o título de cidadão honorário da terra de Matusalém. Já hoje, gozando da vasta sabedoria, experiência e savoir-faire de quem lavrou no currículo 1 300 shows, 6 200 lps, quatro empregos, dois casamentos (e um terceiro à espreita), um casal de filhotes daqueles de deixar a galera do Arpex babando de inveja, sete guitarras, seis pranchas, 58 pontos na cabeça e algumas toneladas de substâncias exóticas devidamente catalogadas, sinto até pena desses guris que têm menos horas de vida que os meus ouvidos de head-phone. Mudei euzinho? Não. Mudou o mundo? Muito menos. Quem mudou foi o calendário. O resto segue igual. Quem vem atrás é pirralho; quem está na frente, coroa. O roqueiro continua ali, reinando soberano no centro do mundo.
Não vou fazer cerimônia, nem usar de falsa modéstia. Fui criado ouvindo The Who e tenho desde pequeno esse hábito desaforado de chamar as coisas pelo nome. Digo o que penso. Quem quiser que goste. Para quem não gostou, aquele abraço. Verdade não tem duas. Pode anotar aí nos seus alfarrábios sertanejos: o roqueiro é antes de tudo um forte. E essa característica - que está na própria essência da condição roqueira - acompanha o cara por toda a vida. Se assuste não. Tem muita filosofia no que eu digo. Sol e som nunca fizeram mal ao cérebro. Experimenta passar trinta anos decifrando Bob Dylan para ver se tu não ganha uma substância. Roqueiro burro nasce morto. Essa rapaziada aí dos dois neurônios, que gosta de Iron Maiden e Sepultura, a gente chama de "os metaleiro" - assim mesmo, no singular presidencial, porque a lindeza do plural majestático ficou reservada para quem já brincava de forte apache ouvindo "Voodoo child". A negada mais esperta.
Então. Qual o problema de encarar o tranco dos 50 anos? Tirando o joelho bichado e a vista cansada, a diferença é nenhuma. O fígado e coração estão ali, inteiraços! Quer dizer, falando assim, em termos genéricos. Um pouquinho de cuidado com o patrimônio não chega a ser frescura. Geração saúde total - sou a favor. Parada de se mandar por aí com os amigos todo fim de semana, em excursão aventureira estilo tomai-os-lírios-do-campo, já teve o seu momento histórico. A gente amadurece, acumula responsabilidades, fica preocupado com as crias. Não dá para sair arrepiando, cantando pneu que nem fazia aos 20. A vida é uma corridona longa, não chegamos nem na metade das voltas. A maldita está longe ainda, lá do outro lado. Mas também não é para ficar folgando com ela. Quem tem tino aprende a administrar a vantagem. Estratégia Fittipaldi, morou? Sabedoria zen - Lotus 72-d. Carrão mais maneiro de todos os tempos. Bonito feito um solo do Santana.
O único lance que me tira do sério, dia após dia, é essa brincadeira do Big Brother lá de cima com o negócio do cabelo. Barriga, a gente controla. Passa de 100 para 200 para 500 abdominais por dia, se for preciso. Corta doce, salgado, fritura, tempero, cozinha, refrigerante, empadinha, pizza - corta até o chopp com os amigos. Mas com o cabelo é covardia. A natureza inteira conspira contra o roqueiro. Não há cola que dê solução. Sempre que vejo o André di Biasi na telinha começo a me benzer. Maria Catiça, esconjuro três vezes!
Outro dia foi ainda pior. Estava surfando na net, fazendo um download ali tranqüilex, topei com uma foto do Peter Frampton: rapado, grisalho, umas entradas gigantescas. Bateu o desespero. Aquela culpa absoluta. Católica. Quinze anos de parafina. Corri pro médico: "Doutor, me ajuda!". Daí, pra minha surpresa, o cara começou uns papos meio estranhos: injeçãozinha na testa, loçãozinha de minoxidil, vitamina hair-food, finasterida. pa! Alto lá! Cumequié? Vai afetar as jóias da coroa? Que história é essa, rapá? Ta me estranhando? Saí dali batido. Tenho esse tanto de energia para ficar jogando fora não, aí. Vou te falar um lance, papo sério: ter que optar entre ficar careca e derrubar o Kojak é prova cabal de que Deus não existe. Se existe, é argentino. Mas deixa estar. A gente segue em frente, cabeça erguida. Enquanto a Fernandinha Paes Leme for solteira, há de permanecer acesa a chama da esperança.
Quanto àquela decisão difícil, estou ainda adiando. Vou deixar para a última hora. Esperar o pessoal do Green Peace começar a fazer piquete na porta de casa, pichar muro, estender faixa dizendo que eu estou mais devastado que a mata atlântica. Daí eu vejo o que é menos pior: o corte paizão calvo, tipo mais careta impossível; ou aquela recada básica, estilo sou-boiola-e-moro-em-Nova-York. Escolha fácil não, aí. O passado pesa. Na época em que eu me eduquei moral e civicamente, essa indústria aí do cotonete de elefante era reserva de mercado do Isaac Hayes. Nego tinha que ser black - senão não rolava. Os Michael Stripes da vida só vieram fazer moda muito depois. Lá atrás era diferente. Anos 70, rapá. Pedreira. Ainda mais no Brasil. Isso aqui era país nazi-socialista, legítimo. Tu pode imaginar? O cidadão era livre para escolher entre dois tipos de queijo: queijo minas e queijo prato. Bipartidarismo gastronômico. Negócio de provolone já era subversão.
Só com muito rock pra agüentar, saca? Led Zeppelin na veia. Jim Morrison no céu, Van Morrison na terra. E os milicos só dificultando. Qualquer coisa que tivesse a ver com rock caía no valão do supérfluo: 10 mil por cento de imposto. O cara para comprar uma Fender precisava assaltar um banco ou vender a casa própria. Essas coisas ficam gravadas a ferro e fogo lá no fundo da alma. Meu segundo casamento foi pro buraco de tanto que a Suzana implicou com a história de eu pendurar uma Les Paul no canto mais nobre da sala. Mulher quando resolve torrar a paciência, rapáááá.. Não há lar que resista. Para mim, aquilo lá valia mais que um Picasso! E eu tanto tinha razão que na hora do quebra-pau o advogado dela ó, não perdoou: me deixou tocando uma Giannini outra vez.
Tem erro não. Vida de roqueiro é assim mermo. Quem pára quieto, cria musgo. Estou eu aqui outra vez indo ao cinema sozinho. Mas sem stress. Tipo durante a semana. Quando eu já não agüento mais escrever aqueles artigos pro jornal esculhambando o governo. Daí eu entro num desses multiplex, e vejo o que tiver passando - até filme nacional! Troço inacreditável, né. Sai ditadura, vem democracia. Sai bandinha militar, vem o recital de piano. Saem os engomados, vem a moçada do funk - e tudo que é governo continua no pagode. Eu reclamo, fazer o quê?! Roqueiro nasceu pra ser do-contra. Mas chega uma hora que nada disso importa, viu. Solzão no céu, domingão beleza: ponho o Homem-aranha e a Cinderela no carro, coloco um cd dos Stones para eles irem se acostumando, e saio por aí. Totalmente easy rider. Me sentindo o roqueiro mais feliz do mundo.
por Marcelo O. Dantas
Tem essa não, falou. Papo de "cinqüentão", estou fora. Maior invenção maledicente desse pessoal do samba. Roqueiro é roqueiro, não tem essa de ficar tirando onda com a idade do cara. Até porque esse lance aí de "juventude" tem suas relatividades. Energia = mc5. Se liga, meu. Quando eu tava em pleno esplendor do meus 16 anos - saradaço, pegando onda, pegando os brotos, estraçalhando geral com a minha Giannini sg vermelha e preta igualzinha à do Angus Young - qualquer um com mais de 25 velinhas no bolo ganhava de imediato o título de cidadão honorário da terra de Matusalém. Já hoje, gozando da vasta sabedoria, experiência e savoir-faire de quem lavrou no currículo 1 300 shows, 6 200 lps, quatro empregos, dois casamentos (e um terceiro à espreita), um casal de filhotes daqueles de deixar a galera do Arpex babando de inveja, sete guitarras, seis pranchas, 58 pontos na cabeça e algumas toneladas de substâncias exóticas devidamente catalogadas, sinto até pena desses guris que têm menos horas de vida que os meus ouvidos de head-phone. Mudei euzinho? Não. Mudou o mundo? Muito menos. Quem mudou foi o calendário. O resto segue igual. Quem vem atrás é pirralho; quem está na frente, coroa. O roqueiro continua ali, reinando soberano no centro do mundo.
Não vou fazer cerimônia, nem usar de falsa modéstia. Fui criado ouvindo The Who e tenho desde pequeno esse hábito desaforado de chamar as coisas pelo nome. Digo o que penso. Quem quiser que goste. Para quem não gostou, aquele abraço. Verdade não tem duas. Pode anotar aí nos seus alfarrábios sertanejos: o roqueiro é antes de tudo um forte. E essa característica - que está na própria essência da condição roqueira - acompanha o cara por toda a vida. Se assuste não. Tem muita filosofia no que eu digo. Sol e som nunca fizeram mal ao cérebro. Experimenta passar trinta anos decifrando Bob Dylan para ver se tu não ganha uma substância. Roqueiro burro nasce morto. Essa rapaziada aí dos dois neurônios, que gosta de Iron Maiden e Sepultura, a gente chama de "os metaleiro" - assim mesmo, no singular presidencial, porque a lindeza do plural majestático ficou reservada para quem já brincava de forte apache ouvindo "Voodoo child". A negada mais esperta.
Então. Qual o problema de encarar o tranco dos 50 anos? Tirando o joelho bichado e a vista cansada, a diferença é nenhuma. O fígado e coração estão ali, inteiraços! Quer dizer, falando assim, em termos genéricos. Um pouquinho de cuidado com o patrimônio não chega a ser frescura. Geração saúde total - sou a favor. Parada de se mandar por aí com os amigos todo fim de semana, em excursão aventureira estilo tomai-os-lírios-do-campo, já teve o seu momento histórico. A gente amadurece, acumula responsabilidades, fica preocupado com as crias. Não dá para sair arrepiando, cantando pneu que nem fazia aos 20. A vida é uma corridona longa, não chegamos nem na metade das voltas. A maldita está longe ainda, lá do outro lado. Mas também não é para ficar folgando com ela. Quem tem tino aprende a administrar a vantagem. Estratégia Fittipaldi, morou? Sabedoria zen - Lotus 72-d. Carrão mais maneiro de todos os tempos. Bonito feito um solo do Santana.
O único lance que me tira do sério, dia após dia, é essa brincadeira do Big Brother lá de cima com o negócio do cabelo. Barriga, a gente controla. Passa de 100 para 200 para 500 abdominais por dia, se for preciso. Corta doce, salgado, fritura, tempero, cozinha, refrigerante, empadinha, pizza - corta até o chopp com os amigos. Mas com o cabelo é covardia. A natureza inteira conspira contra o roqueiro. Não há cola que dê solução. Sempre que vejo o André di Biasi na telinha começo a me benzer. Maria Catiça, esconjuro três vezes!
Outro dia foi ainda pior. Estava surfando na net, fazendo um download ali tranqüilex, topei com uma foto do Peter Frampton: rapado, grisalho, umas entradas gigantescas. Bateu o desespero. Aquela culpa absoluta. Católica. Quinze anos de parafina. Corri pro médico: "Doutor, me ajuda!". Daí, pra minha surpresa, o cara começou uns papos meio estranhos: injeçãozinha na testa, loçãozinha de minoxidil, vitamina hair-food, finasterida. pa! Alto lá! Cumequié? Vai afetar as jóias da coroa? Que história é essa, rapá? Ta me estranhando? Saí dali batido. Tenho esse tanto de energia para ficar jogando fora não, aí. Vou te falar um lance, papo sério: ter que optar entre ficar careca e derrubar o Kojak é prova cabal de que Deus não existe. Se existe, é argentino. Mas deixa estar. A gente segue em frente, cabeça erguida. Enquanto a Fernandinha Paes Leme for solteira, há de permanecer acesa a chama da esperança.
Quanto àquela decisão difícil, estou ainda adiando. Vou deixar para a última hora. Esperar o pessoal do Green Peace começar a fazer piquete na porta de casa, pichar muro, estender faixa dizendo que eu estou mais devastado que a mata atlântica. Daí eu vejo o que é menos pior: o corte paizão calvo, tipo mais careta impossível; ou aquela recada básica, estilo sou-boiola-e-moro-em-Nova-York. Escolha fácil não, aí. O passado pesa. Na época em que eu me eduquei moral e civicamente, essa indústria aí do cotonete de elefante era reserva de mercado do Isaac Hayes. Nego tinha que ser black - senão não rolava. Os Michael Stripes da vida só vieram fazer moda muito depois. Lá atrás era diferente. Anos 70, rapá. Pedreira. Ainda mais no Brasil. Isso aqui era país nazi-socialista, legítimo. Tu pode imaginar? O cidadão era livre para escolher entre dois tipos de queijo: queijo minas e queijo prato. Bipartidarismo gastronômico. Negócio de provolone já era subversão.
Só com muito rock pra agüentar, saca? Led Zeppelin na veia. Jim Morrison no céu, Van Morrison na terra. E os milicos só dificultando. Qualquer coisa que tivesse a ver com rock caía no valão do supérfluo: 10 mil por cento de imposto. O cara para comprar uma Fender precisava assaltar um banco ou vender a casa própria. Essas coisas ficam gravadas a ferro e fogo lá no fundo da alma. Meu segundo casamento foi pro buraco de tanto que a Suzana implicou com a história de eu pendurar uma Les Paul no canto mais nobre da sala. Mulher quando resolve torrar a paciência, rapáááá.. Não há lar que resista. Para mim, aquilo lá valia mais que um Picasso! E eu tanto tinha razão que na hora do quebra-pau o advogado dela ó, não perdoou: me deixou tocando uma Giannini outra vez.
Tem erro não. Vida de roqueiro é assim mermo. Quem pára quieto, cria musgo. Estou eu aqui outra vez indo ao cinema sozinho. Mas sem stress. Tipo durante a semana. Quando eu já não agüento mais escrever aqueles artigos pro jornal esculhambando o governo. Daí eu entro num desses multiplex, e vejo o que tiver passando - até filme nacional! Troço inacreditável, né. Sai ditadura, vem democracia. Sai bandinha militar, vem o recital de piano. Saem os engomados, vem a moçada do funk - e tudo que é governo continua no pagode. Eu reclamo, fazer o quê?! Roqueiro nasceu pra ser do-contra. Mas chega uma hora que nada disso importa, viu. Solzão no céu, domingão beleza: ponho o Homem-aranha e a Cinderela no carro, coloco um cd dos Stones para eles irem se acostumando, e saio por aí. Totalmente easy rider. Me sentindo o roqueiro mais feliz do mundo.
quinta-feira, 5 de julho de 2012
O sentido de um fim
"Embora a identidade dependa da experiência, a memória está longe de ser sinônimo de exatidão e precisão, sendo no mínimo tão fluida e sujeita a variações quanto a própria experiência".
Antônio Marcos Pereira - Professor UFBA
Antônio Marcos Pereira - Professor UFBA
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Serenidades e amenidades
Cá estou, imobilizada, sentindo uma improdutividade angustiante.
Desde terça-feira, quando sofri um pequeno acidente, não posso me movimentar como o habitual. As escadas do Campus do Vale tornaram-se um desafio quase maior que o final de meu penúltimo semestre de faculdade. Mas para lá me fui...Mesmo cheia de dores e parecendo Saci-Pererê, eu cumpri minhas obrigações universitárias.
Dissertei largamente sobre Alain Robbe-Grillet e Sartre, tudo, obviamente, em francês. Nem sei como consegui, já que a dor era um fator gerador de desconcentração.
Quando voltei, meus tendões estavam duas vezes mais inchados comparados ao momento em que botei o pé para fora de casa (Ô trocadilho cretino!) risos.
Só me restou a resignação dos enfermos. Deixar que façam por mim, as tarefas mais triviais, como servir um prato de comida, arrumar a cama e etc...
Mudando de assunto...
Às vésperas das férias julhinas, tenho esperado ansiosamente por momentos de descontração. Quero visitar a exposição comemorativa ao centenário de nascimento de Nelson Rodrigues, quero conhecer o Museu do Ipiranga, quero caminhar pelo Parque Trianon, quero tomar café na Starbucks...
Preciso me evadir dos problemas acadêmicos por alguns dias, pois quando voltar à Porto Alegre,será para o último round de uma luta que parece jamais acabar. A formatura.
Sim, eu vou me formar! Nem eu acredito, mas o sonho está se concretizando dia após dia. Meus créditos complementares já foram contados, meus estágios aproximam-se do final. É uma sensação de dever cumprido e niilismo "au même temps". Não saberia discurzivizar este fechamento de ciclo pelo qual atravesso.
Pour finir...
Tenho mais um motivo para extravassar felicidade. Estou emagrecendo!!! Hoje percebi a necessidade de ajustar minhas calças. A emoção foi forte!
Agora só falta resolver meus problemas com a cutis, que anda pra lá de ruim...
Aí, então posto uma foto com o antes e depois da Dani, ex-Free-Willie, ex-Choquita!!!
Eu volto!
Bj
Desde terça-feira, quando sofri um pequeno acidente, não posso me movimentar como o habitual. As escadas do Campus do Vale tornaram-se um desafio quase maior que o final de meu penúltimo semestre de faculdade. Mas para lá me fui...Mesmo cheia de dores e parecendo Saci-Pererê, eu cumpri minhas obrigações universitárias.
Dissertei largamente sobre Alain Robbe-Grillet e Sartre, tudo, obviamente, em francês. Nem sei como consegui, já que a dor era um fator gerador de desconcentração.
Quando voltei, meus tendões estavam duas vezes mais inchados comparados ao momento em que botei o pé para fora de casa (Ô trocadilho cretino!) risos.
Só me restou a resignação dos enfermos. Deixar que façam por mim, as tarefas mais triviais, como servir um prato de comida, arrumar a cama e etc...
Mudando de assunto...
Às vésperas das férias julhinas, tenho esperado ansiosamente por momentos de descontração. Quero visitar a exposição comemorativa ao centenário de nascimento de Nelson Rodrigues, quero conhecer o Museu do Ipiranga, quero caminhar pelo Parque Trianon, quero tomar café na Starbucks...
Preciso me evadir dos problemas acadêmicos por alguns dias, pois quando voltar à Porto Alegre,será para o último round de uma luta que parece jamais acabar. A formatura.
Sim, eu vou me formar! Nem eu acredito, mas o sonho está se concretizando dia após dia. Meus créditos complementares já foram contados, meus estágios aproximam-se do final. É uma sensação de dever cumprido e niilismo "au même temps". Não saberia discurzivizar este fechamento de ciclo pelo qual atravesso.
Pour finir...
Tenho mais um motivo para extravassar felicidade. Estou emagrecendo!!! Hoje percebi a necessidade de ajustar minhas calças. A emoção foi forte!
Agora só falta resolver meus problemas com a cutis, que anda pra lá de ruim...
Aí, então posto uma foto com o antes e depois da Dani, ex-Free-Willie, ex-Choquita!!!
Eu volto!
Bj
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