domingo, 11 de maio de 2014
quarta-feira, 12 de março de 2014
Cataventos prateados
Havia diversos
preparativos para a grande festa popular, entretanto, o que mais
chamou minha atenção foram os cataventos prateados. Eles produziam
uma música interessante naquela noite de verão com temperatura amena. Por alguns instantes, ouvi somente aquele som, que soprava e
empurrava minhas tristezas para algum lugar bem longe de onde eu me
encontrava. Aqueles singelos brinquedos de papel tiveram o poder de
varrer momentaneamente minha identidade de chagas emocionais
crônicas.
Segurei a mão dele e
continuei caminhando. Eu era de novo aquela menina de olhar
estupefato diante do brilho dos papéis prateados, a mesma que
contemplou maravilhada a árvore de natal de papel resplandescente,
julgando-se a mais feliz das criaturas. Era, então, um privilégio
poder enxergar o que a vida ali me oferecia e aquilo que ainda
ofereceria. Assim eu, como um pueril serzinho, cria.
Onde estará aquela
criança ? Talvez, escondida no quarto de sua mãe, chorando ao
lado do radiozinho de ondas curtas. Quem sabe ela esteja encolhida entre
o cesto de roupas para lavar e a parede, em um cantinho, de olhos
fechados, esperando que a vida jamais siga, que o futuro não exista,
para que assim ela possa permanecer escondida !
Atravessamos a avenida.
Cataventos dos dois lados. Crianças e adultos sorridentes, todos
cônscios de que a existência compensa qualquer sofrimento. Mas,
desta vez, nem a esperança em forma de brisa foi capaz de secar a
lágrima que se formou no cantinho do meu olho. Ironicamente, no
mesmo instante, lembrei da lágrima que costuma existir na maquiagem
do palhaço. O palhaço tem algo de triste em sua alegria. Devo ser
um tanto palhaça, pois, apesar do sorriso eu estava chorando. E
entre um e outro sentimento soltei a mão dele.
Criança perdida olha
para os dois lados. Criança perdida chora. Os adultos olham a
criança perdida e dela sentem pena.
Percebi que algumas
pessoas olhavam para mim com perplexidade, sem saber a razão daquela
inapropriada emoção em um lugar repleto de euforia.
De repente, ele me
resgatou, tomou minha mão e me tirou do meio daquela gente estranha.
Exortou-me, tal como quando se repreende uma criança quando solta
das mãos de seus pais.
Meu coração se acalmou,
mas a dor não. A lágrima secou, mas a dor não. Voltei para casa,
mas a dor não aliviou.
Aos menos eu consegui
trazer um dos cataventos prateados como lembrança. Às vezes, quando
a dor sufoca, eu sopro meu catavento e escuto a música que
ele entoa, igualzinha a música da minha alma.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O que eu significo?
Tenho medo da resposta para essa pergunta. Tenho medo de tudo. Posso até afirmar que as pessoas se afastam de mim por terem medo dos meus medos.
É desconcertante me ver sentada na porta de casa, derramando lágrimas por acontecimentos longínquos. Incomoda perceber que eu durmo mais tempo do que passo acordada, que nenhuma companhia é capaz de cessar o medo e a vontade de fugir deste mundo que em mim persiste.
Não sei bem se tenho alguma interpretação, já que intuo nada significar.
Espero algo que não existe, acredito no sonho e de onirismos empurro minha existência. Na verdade, desconfio que não existo.
Esperei, espero, esperarei e só isso eu faço dias e noites.
Fico vendo as felicidades dos outros e imaginando porque a minha jamais chega. Fico observando pessoas vivendo as vidas que um dia pareciam ser minhas, só que de repente, fiquei perdida esperando. E espero.
Tenho medo da resposta para essa pergunta. Tenho medo de tudo. Posso até afirmar que as pessoas se afastam de mim por terem medo dos meus medos.
É desconcertante me ver sentada na porta de casa, derramando lágrimas por acontecimentos longínquos. Incomoda perceber que eu durmo mais tempo do que passo acordada, que nenhuma companhia é capaz de cessar o medo e a vontade de fugir deste mundo que em mim persiste.
Não sei bem se tenho alguma interpretação, já que intuo nada significar.
Espero algo que não existe, acredito no sonho e de onirismos empurro minha existência. Na verdade, desconfio que não existo.
Esperei, espero, esperarei e só isso eu faço dias e noites.
Fico vendo as felicidades dos outros e imaginando porque a minha jamais chega. Fico observando pessoas vivendo as vidas que um dia pareciam ser minhas, só que de repente, fiquei perdida esperando. E espero.
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
我的父亲母亲 (The Road Home) Theme
É um caminho. Esse caminho precisa ser percorrido. Não há como voltar. Restaram as lembranças da vontade de que o meu caminho com o teu cruzasse, mas não foi assim, infelizmente.
Então, eu vou para a casa que me acolheu. Hoje...a minha casa!
Bjs
terça-feira, 17 de setembro de 2013
Do medo ao amor
Deu medo. Um medo danado, medonho.
Eu me dei conta do amor que sentimos. É recíproco, eu sei,
sinto. Entendo tuas palavras agora, pois eu sinto, sinto, sinto.
Era madrugada quando eu subitamente despertei com uma
angústia no peito, um pavor repentino de tudo que me cercava, inclusive de
estar ao teu lado.
Sim, o momento do amor mais profundo causa certo pavor. Mas
como não te amar? Se o teu corpo já é parte do meu, se o teu sorriso já grudou
na minha memória, se sinto, sinto, sinto.
Sinto amor, sinto falta, sinto transbordar meu coração. Só
consigo querer estar perto de ti, não imagino mais a vida longe da tua
companhia. Teu cheiro está impregnado em mim, teus fluidos são meus também.
Cada vez que penso em ti, algum sinal emites. Cada vez que
te espero, os minutos se transformam em eternidade e eu só espero estancar o
tempo para que possa contigo ficar num pra sempre.
Foi naquela noite. Nós sabemos quando foi, sabemos o exato
momento. A entrega foi total, perene, nada se interpôs.
Eu senti medo, pois perdi a autonomia do meu coração.
Acendeste as luzes da minha alma. Inalei os odores místicos
que o teu sentimento exalou. E foi então, ali, entre os sândalos, vinhos e
sussurros que descobri a extensão do nosso amor.
Nunca havia sido assim... Tão convincente exato e perfeito.
Nunca.
Agora a certeza é una, uma e única: eu te amo!
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Do filme "Asas do Desejo"...
"...Primeiras gotas de chuva.
O sol.
O pão e o vinho. Ter esperança.
Páscoa. As veias das folhas.
A grama ao vento.
A cor das pedras.
As pedrinhas no leito do rio.
A toalha de mesa lá fora.
O sonho da casa dentro da casa.
O ente querido dormindo no quarto ao lado.
O domingo pacífico.
O horizonte.
A luz do quarto no jardim.
O voo noturno.
Andar de bicicleta sem mãos.
Meu pai.
Minha mãe."
O sol.
O pão e o vinho. Ter esperança.
Páscoa. As veias das folhas.
A grama ao vento.
A cor das pedras.
As pedrinhas no leito do rio.
A toalha de mesa lá fora.
O sonho da casa dentro da casa.
O ente querido dormindo no quarto ao lado.
O domingo pacífico.
O horizonte.
A luz do quarto no jardim.
O voo noturno.
Andar de bicicleta sem mãos.
Meu pai.
Minha mãe."
terça-feira, 11 de junho de 2013
Acredite, as coisas estão em seus lugares...
Desde o princípio e todo tempo as coisas são como devem ser. Algumas vezes, nos vem a sensação de que tudo está errado e fora de lugar, entretanto, isso é falso!
Foi como se a consumação da regra ortográfica de M antes P & B fechasse seu ciclo. Agora, foi o SEU crasso erro que me libertou da MINHA outrora crassa dor. Senti-me livre!
Pude olhar para o alto, respirar cheia de confiança e sentir a inquietação do amor-próprio fustigar meu íntimo novamente. Fazia já tanto tempo..
Entrei na grande sala repleta de convidados e estampei meu mais colorido sorriso. Todos aqueles intelectuais me recebendo em uma ensolarada manhã de domingo e eu solta de mim. Estaria sonhando? Lembrei de sua elipse constrangedora, e de como esta deixara ver sua sofrível falta de cultura formal (leitura, mais propriamente dizendo). Minha aparente crueldade me trouxe identidade, e de reboque felicidade.
Da esquerda para a direita as idades cronológicas eram descendentes,mesmo assim somadas as vivências teríamos muitos séculos. Confesso que tão logo adentrei o recinto, pensei tratar-se de uma Gerúsia. O anfitrião, um homem cheio de afabilidades, veio ao meu encontro, abraçou-me, passou a mão em meu rosto e sorriu aceitando-me de pronto em seu elevado círculo. O gesto dele fez lembrar minha espontânea afeição pelos anciãos. Gosto dos mais velhos, pois quando a senilidade não lhes turva as percepções, o que dizem revela grandes ensinamentos.
O almoço foi servido em lindas pratarias d'além mar. Nos entremeios, licores bacorosos foram oferecidos, os quais não sorvi por absoluta falta de tempo. Por certo, fui marionete na luta desigual de chronos e kairós. Mas dessa vez não me importei , pois o momento foi sublime.
A refeição aconteceu. Todos sorrindo, vez por outra algum deles mimava-me perguntando acerca de minhas preferências. Refleti: Já não me importam mais os panos de cozinha, quando o que tenho são grandes mentes a me oferecer prontamente seus saberes.
Quando chegou a sobremesa, era já o momento de uma concomitante comemoração pela passagem de anos daquele meigo e soberano senhor . Enquanto entoávamos os parabéns, eu sorri pela vida daquele longevo homem e pela minha própria longevidade. Feliz por ter permanecido viva, apesar dos tropeços que tive até hoje. A comemoração também foi minha.
Na saída, recebi carinhoso abraço de mais uma elevada alma entre tantas ali presentes. Ele - um artista em palavras, gestos e diálogos. Pediu que fosse prudente, e sua melancolia comunicou à minha que jamais nos esqueceremos um do outro. Seus opacos olhos me pareceram velas quase se apagando em um candelabro antigo. Abracei com carinho aquele corpo franzino, ressentido pelo preconceito social. Restou a esperança de breve nos revermos!
A vida se move, porém, as coisas sempre estão onde deveriam estar!
sábado, 1 de junho de 2013
Sinto saudades do tempo em que o abraço apertado da minha mãe era a solução para quase todos os meus problemas. Hoje, quando ela me consola, meu choro só aumenta, pois sei que nada do que me aflige está ao alcance da sua ajuda.
E estou muito triste para que somente abraços me confortem.
Vida que anda pra trás!
E estou muito triste para que somente abraços me confortem.
Vida que anda pra trás!
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Vídeos favoritos (lista de reprodução)
Minha singela homenagem a este que é um de meus artistas favoritos.
Aujourd'hui, jeudi 23 mai 2013 , George Moustaki est mort.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Antes de P e B sempre se usa M
Eu não tenho muito. De um pretenso enxoval – igual ao que as
moçoilas possuíam em décadas passadas - tudo que somo são dois panos de
cozinha. Não sou uma mulher de significativas prendas domésticas, cozinho o básico
necessário e indispensável, mas não arrisco grandes produções culinárias.
Eu não sei criar um lar repleto de aconchego e acho que
sequer daria conta de administrar um. Não uso sabão neutro nas roupas íntimas,
gosto de patchwork, entretanto, jamais cheguei perto de uma máquina de costura.
Eu não chamo minhas amigas de “amadas”, não leio horóscopo,
não posto frases de autoajuda na internet. Gosto de músicas sorumbáticas e
janelas fechadas. Meu roupeiro cheira a mofo e meu gato não ronrona quando me
vê.
Mas eu tenho um coração que sabe amar...
Apesar de minha vida ser cheia de orações assindéticas,
preciso de conjunções, já que sou frequentemente desconjuntada. Acreditei que me ligaria a você. Hoje, percebo
meu erro. Mas, veja bem...
Eu também gosto de pintura e até sei pintar telas e tecidos.
Também poderia ter aquarelado sua vida para além de uma existência monocromática.
Você nunca viu meus bordados em pedrarias, nunca provou meu bolo com cobertura
de açúcar glaceado. Eu teria sido brilhante e doce em sua companhia, mas não houve tempo. Fiquei
cheia de projetos e minhas tintas de pátina secaram... Só o amor que nutro por você ainda
umedece meu rosto.
Talvez você tivesse me amado se eu não soubesse que antes de
P e B se usa M. Meu tropeço foi pronominal – eu sei que confundi retos com
oblíquos, mas entenda que minha visão abrangia mais do que um lapso puramente gramatical. Sei que deveria ter errado outra regra da Língua Portuguesa, contudo, errei em meu discurso
e desconstruí nosso sentimento.
Fiquei dando adeus para você, vendo seu carro se afastar
devagar. Você partiu pateticamente.
Depois, os panos de cozinha e bordados sobrepujaram toda e qualquer poesia que eu escrevesse e, afinal, para que servem versos em nossa vida real não é mesmo??? As toalhas e colchas secam, aquecem e protegem do frio.
Depois, os panos de cozinha e bordados sobrepujaram toda e qualquer poesia que eu escrevesse e, afinal, para que servem versos em nossa vida real não é mesmo??? As toalhas e colchas secam, aquecem e protegem do frio.
Em resumo, você foi razoável consigo. Preferiu o acolhimento, o calor - quase como uma metáfora materna, um retorno ao abrigo uterino.
Eu fui tão somente o vento frio que cortou com palavras mal
colocadas, todas as expectativas de um amor doce e envolvente.
Mas acredite... essas palavras, ainda que representem tudo que eu possuo, são escritas e a você ofertadas como prova de que meu sentimento existe, em detrimento de tudo possa
ser medido.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Hier encore
J'avais vingt ans
Je caressais le temps
Et jouais de la vie
Comme on joue de l'amour
Et je vivais la nuit
Sans compter sur mes jours
Qui fuyaient dans le temps
J'ai fait tant de projets
Qui sont restés en l'air
J'ai fondé tant d'espoirs
Qui se sont envolés
Que je reste perdu
Ne sachant où aller
Les yeux cherchant le ciel
Mais le cœur mis en terre
Hier encore
J'avais vingt ans
Je gaspillais le temps
En croyant l'arrêter
Et pour le retenir
Même le devancer
Je n'ai fait que courir
Et me suis essoufflé
Ignorant le passé
Conjuguant au futur
Je précédais de moi
Toute conversation
Et donnais mon avis
Que je voulais le bon
Pour critiquer le monde
Avec désinvolture
Hier encore
J'avais vingt ans
Mais j'ai perdu mon temps
A faire des folies
Qui ne me laissent au fond
Rien de vraiment précis
Que quelques rides au front
Et la peur de l'ennui
Car mes amours sont mortes
Avant que d'exister
Mes amis sont partis
Et ne reviendront pas
Par ma faute j'ai fait
Le vide autour de moi
Et j'ai gâché ma vie
Et mes jeunes années
Du meilleur et du pire
En jetant le meilleur
J'ai figé mes sourires
Et j'ai glacé mes pleurs
Où sont-ils à présent
A présent mes vingt ans?
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